No desespero de tentar silenciar esse buraco, busquei refúgio em caminhos sombrios. As drogas, que prometiam alívio, se tornaram minha única companhia nas noites intermináveis. Cada dose era uma tentativa de fugir da realidade, de calar as vozes que gritavam em minha mente que eu não era o suficiente. Mas, ao invés de me salvar, elas me arrastaram ainda mais fundo, me fazendo flertar com a morte como se ela fosse a única saída viável.Olhando para trás, vejo o quão perto estive de desistir de tudo.
A verdade é que precisei me perder por completo para, finalmente, me encontrar. Houve um momento, no auge da minha autodestruição, em que me vi no espelho e mal reconheci quem eu era. O rosto inchado, os olhos apagados, e a alma vazia. Aquele não era eu, era uma versão distorcida, moldada pela dor e pelas escolhas erradas. Foi nesse instante de completa vulnerabilidade que algo dentro de mim despertou. Uma faísca de vida que, por mais fraca que fosse, me lembrou que ainda havia algo pelo qual lutar. Eu merecia mais. Eu precisava ser mais.
A jornada para me livrar da dependência foi uma batalha árdua, mas foi nela que descobri o meu verdadeiro valor. Com cada passo, a vontade de viver voltou a crescer dentro de mim. Fui encontrando forças que nunca imaginei possuir, e cada vitória sobre a droga foi um lembrete de que eu era capaz de reconstruir o que você tentou destruir. Eu não precisava mais de você, nem de qualquer outra muleta emocional ou química. Eu estava me tornando alguém de quem eu finalmente poderia me orgulhar.
E, na solitude, reencontrei minha verdadeira essência. Não era mais a solidão angustiante de quando você me deixou, mas sim um silêncio confortante, onde eu aprendi a ser minha melhor companhia. Comecei a apreciar os momentos de quietude, onde não havia necessidade de buscar validação externa. Era apenas eu, em paz comigo mesmo, redescobrindo o prazer de existir sem expectativas, sem cobranças. A solidão, que antes parecia uma maldição, tornou-se o terreno fértil no qual plantei as sementes de quem eu queria ser.
Hoje, posso dizer que sou grato por ter passado por tudo isso. Não pela dor em si, mas pela força que ela me trouxe. Eu renasci das minhas próprias cinzas, mais resiliente, mais consciente de quem eu sou e do que mereço. A tentativa de me destruir, seja pelas suas mãos ou pelas minhas próprias, falhou. Eu sou prova viva de que, mesmo nos momentos mais sombrios, existe luz no fim do túnel. E essa luz vem de dentro.
Agora, vivo uma vida sem a necessidade de aprovação alheia. Meu valor não está mais atrelado ao amor que eu dei ou deixei de receber. Ele está em mim, nas escolhas que faço, na paz que encontro em minha própria companhia. A melhor parte de tudo isso? Descobri que a pessoa que eu procurava o tempo todo era eu mesmo. Não preciso de ninguém para me completar, porque, finalmente, me sinto inteiro.
Texto escrito 20 de agosto de 2018.

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