N o desespero de tentar silenciar esse buraco, busquei refúgio em caminhos sombrios. As drogas, que prometiam alívio, se tornaram minha única companhia nas noites intermináveis. Cada dose era uma tentativa de fugir da realidade, de calar as vozes que gritavam em minha mente que eu não era o suficiente. Mas, ao invés de me salvar, elas me arrastaram ainda mais fundo, me fazendo flertar com a morte como se ela fosse a única saída viável. Olhando para trás, vejo o quão perto estive de desistir de tudo . A verdade é que precisei me perder por completo para, finalmente, me encontrar. Houve um momento, no auge da minha autodestruição, em que me vi no espelho e mal reconheci quem eu era. O rosto inchado, os olhos apagados, e a alma vazia. Aquele não era eu, era uma versão distorcida, moldada pela dor e pelas escolhas erradas. Foi nesse instante de completa vulnerabilidade que algo dentro de mim despertou. Uma faísca de vida que, por mais fraca que fosse, me lembrou que ainda havia algo ...
" O ato de escrever, é tudo aquilo que se pode ou é capaz de viver."